A Última Canção :  relembrando Paulo Sérgio

” Roberto Carlos acabou.  Não existe mais Roberto Carlos…  A medicina tem escola, a arquitetura tem escola, tudo tem escola.  Paulo Sérgio seguiu a escola de Roberto Carlos…  Ele já superou Roberto Carlos “

( Chacrinha em 1968 )

M. A. R.

Paulo_Sérgio

 29 de Julho de 2015 … 35 anos da partida de Paulo Sérgio (1944-1980) ! Um legítimo “cantor das multidões” – por mais que, durante toda a sua carreira, a famigerada “crítica” o tenha tomado apenas como um mero “imitador” de

Paulo Sérgio ... e Roberto Carlos!

Paulo Sérgio … e Roberto Carlos!

Roberto Carlos. “Eu operei a garganta para ver se a minha voz ficava diferente da voz do Roberto Carlos e não adiantou. Estou desesperado, já não aguento mais ouvir todo mundo dizer que eu imito o Brasa” – desabafava o cantor no final dos anos ‘60.

 Enquanto artista, Paulo Sérgio foi produto de seu tempo: quando apareceu – já como um “sucesso estrondoso” –, em 1968, fazia pelo menos três anos que, de fato, imitadores do “rei” pululavam aos montes pelo Brasil. Porém, o que distinguiu Paulo Sérgio dos demais foi o fato de ele ter sido, como bem lembra o historiador Paulo Cesar de Araújo, “o primeiro artista com voz e estilo semelhantes ao de Roberto Carlos a alcançar grande sucesso nacional”, e, isso, num momento em que, segundo o então mais popular apresentador da televisão brasileira, Chacrinha (1917-1988), “Roberto Carlos acabou… Paulo Sérgio já superou Roberto Carlos”.

 Apesar da declaração um tanto apressada do “velho guerreiro”, tamanho foi o sucesso popular alcançado pelo ex-alfaiate capixaba que, mesmo em 1983 – portanto, três anos após sua morte –, a imprensa constatava que “no túmulo de Paulo Sérgio, decorado com flores, fotos e faixas, houve vigília” durante todo o Dia de Finados, enquanto “a sepultura de Noel Rosa” (1910-1937), por exemplo, “estava mais abandonada do que nos anos anteriores”. E a de Cartola (1908-1980), por sua vez, havia sido, na véspera do feriado religioso, “caiada e pintada àsPaulo Sérgio Contra Todos pressas por dois funcionários da Santa Casa de Misericórdia” – enorme era o peso da memória de Paulo Sérgio. O já citado Araújo vai além: foi Paulo Sérgio “quem retrabalhou a fórmula da balada romântica e abriu as portas do mercado discográfico para uma nova geração de cantores populares, que começavam sua carreira num momento em que o ciclo da Jovem Guarda chegava ao fim”. E muito embora “tenha carregado até o último dia de vida a pecha de ‘imitador do rei’, ao longo de sua carreira”, Paulo Sérgio “foi colecionando uma série de sucessos nacionais, mantendo a audiência de um público cada vez mais fiel e tornando-se precursor de um estilo de balada romântica” – posteriormente “batizada”, por uma elite intelectual preconceituosa, como “brega” – “que influenciou toda uma geração de cantores e compositores populares surgidos a partir de 1968: Odair José, Fernando Mendes, Luiz Geraldo, Jean Marcel, Gilberto Reis, Fredson” e, dentre tantos outros, as cantoras Carmen Silva e Diana.

 Por que, então, o nome do intérprete da “Última Canção” praticamente não gozou de qualquer importância por parte daqueles que registraram – para a atual geração – a história da chamada música popular brasileira? Para Araújo, “o processo social é assim mesmo”… Afinal de contas, “vivemos em uma sociedade de classes e a versão histórica que sobressai é geralmente as das classes dominantes, das quais os fãs de Paulo Sérgio não fazem parte. E, por isso, eles resistem, trazendo ao conhecimento da sociedade uma história até então silenciada, ocultada, negada”…

 Colaboremos, pois, para que a história da – genuína – música popular brasileira seja reescrita!

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Confira  alguns  dos  grandes  sucessos  de  Paulo Sérgio!

Paulo Sérgio – “Sorri, Meu Bem” [1968]

Paulo Sérgio – “No Dia Em Que Parti” [1968]

Paulo Sérgio – “Não Creio Em Mais Nada” [1970]

Paulo Sérgio – “Minhas Qualidades, Meus Defeitos” [1974]

Paulo Sérgio – “Última Canção” [1968]