Os Simpsons :  o filme …  e “a morte” do Green Day

M.A.R

 

 

 Diante de uma pequena – porém atenta, exigente e entediada – plateia da cidade de Springfield, América do Norte, o Green Day fez, em 2007, aquele que teria sido o show mais frustrante e trágico de toda sua carreira. Num palco erguido bem no meio do famoso Lago Springfield, a banda que outrora fazia música para descarregar o tédio de uma vida envolta em nevoeiros de marijuana – como atestam os sucessos Basket Case, Having a Blast, Longview e tantos outros –, agora, com o politizado e bem sucedido álbum American Idiot, parecia ter encontrado, na gestão George W. Bush, a razão ou pelo menos uma válvula de escape para tanto nonsense existencial.

 Após cerca de três horas e meia de pura catarse, em que os cidadãos da pequena Springfield  “fizeram o chão tremer”  – provavelmente ao som de hits como She, Welcome To Paradise, American Idiot ou Jesus of Suburbia -,  o power trio chamou a atenção de todos para um assunto que, àquela altura, já lhes despontava como uma das grandes razões para continuar fazendo rock: o Meio Ambiente! Menos de cinco repentinos e pensativos segundos de silêncio foram suficientes para que a banda tivesse, da plateia, a pior das reações:  uma verdadeira e ensurdecedora chuva de vaias e garrafas de cerveja quase inundou o palco, de onde os caras ainda tiveram que ouvir acusações de “moralistas” – as quais, no fundo dos ouvidos, certamente ecoaram como assustadoras trovoadas.

 Se não havia mais clima para show muito menos “saída pelos fundos”, já que, agora, o palco – surpreendentemente corroído pela eventual ação poluidora do Lago Springfield – naufragava numa velocidade em muito superior à do naufrágio do próprio Titanic. Para Billie Joe Armstrong, Mike Dirnt e Tré Cool era o “apagar das luzes”, o “fechar das cortinas” e o “emudecer das guitarras”, agora substituídas por melancólicos violinos que entoavam, numa melodia fúnebre, o famoso – e sempre apropriado a tais momentos – hino gospel Nearer My God To Thee. Assim – e num último e sonoro suspiro de vida – o Green Day se “despedia” do Mundo e “encerrava” sua modesta carreira

 Vá ver o filme quis – ainda que para isso fosse necessário sacrificar uma banda de rock – chamar a atenção de todo o mundo para que se desse realmente ouvidos à urgente e imprescindível questão ambiental ou, na pior das hipóteses, a película de David Silverman não quis outra coisa senão mostrar que já não havia mais tempo para salvar o Planeta – ou, em outras palavras, brincar de “Rock N Roll por um Mundo melhor 

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