Phil Collins Going Back:  um último suspiro ?

M.A.R




 Em Setembro de 2010, o cantor e baterista inglês Phil Collins lança seu mais recente trabalho, Going Back, um disco com regravações de sucessos, sobretudo, da famosa gravadora Motown, especializada no gênero que se convencionou chamar de black music. A intenção, segundo o artista, seria reproduzir – e do modo “mais fiel” possível – toda aquela sonoridade com a qual conviveu, nos anos 60, em sua adolescência – daí a participação de alguns dos consagrados músicos de estúdio da Motown.

 Embora, por um lado, o trabalho consiga, de fato, trazer aos dias de hoje, o agradável e envolvente clima sonoro outrora proporcionado por nomes como The Temptations, The Supremes e, dentre vários outros, o do próprio Stevie Wonder, por outro lado – e ao contrário do que possa sugerir o título -, o disco parece anunciar, só que agora de um modo definitivo, o encerramento de uma longa e bem sucedida carreira: do ponto de vista de seu desempenho vocal, Collins não consegue registrar algo à altura dos sons maravilhosamente bem produzidos em Going Back, o que, aliás, já vinha demonstrando antes mesmo do lançamento deste trabalho, ao cantar, com certa dificuldade, por exemplo, no Festival de Jazz de Montreaux, em Junho de 2010, na Suíça.

 Em Março de 2011 o cantor “oficializou”, como já vinha anunciando desde 2003, o fim de sua carreira: problemas de saúde – como o deslocamento de uma vértebra da coluna cervical (algo que lhe afeta os nervos da mão) -, audição diminuída e falhas nas cordas vocais vêm forçando o artista não somente a deixar de lado as baquetas como também a silenciar sua bela e agradável voz. Não me parece que alguém vá sentir saudades minhas – disse o astro, em tom de modéstia – o que, definitivamente, é um exagero, já que ele bem sabe de sua grande contribuição à boa música.

 Não por acaso, Phil Collins é o grande responsável por ter levado – a contragosto dos fãs mais ortodoxos – o Genesis, banda da qual foi baterista e depois vocalista, ao auge de uma carreira eminentemente comercial: são de sua época sucessos como In The Air Tonight; Mama; Jesus He Knows Me; Follow You Follow Me; Invisible Touch e a simplesmente fantástica Home By The Sea.

 Em sua carreira solo, Collins também é responsável por ter imortalizado vários dos maiores hits da música pop mundial: Against All Odds / Take a Look At Me Now (melhor executada na voz de Mariah Carey, é verdade); Another Day in Paradise; One More Night; Two Hearts; Something Happened On The Way To Heaven; Dance Into The Light; Easy Lover e, dentre tantos outros, a versão mais bem sucedida da canção True Colors, da cantora Cyndi Lauper.

 Sucessos como esses, em cerca de 30 anos de carreira, venderam mais de 100 milhões de discos em todo o Mundo e, dentre as premiações, fizeram com que Collins faturasse vários Grammy (como o de “Melhor Performance Vocal Masculina”, em 1985, por Against All Odds ou o de “Melhor Álbum do Ano”, em 1986, por No Jacket Required), além de um Oscar de “Melhor Canção Original”, por You’ll Be In My Heart, do filme Tarzan, em 2000. Tudo isso sem contar o fato de que seu talento foi reconhecido pelos mais diversos colegas do universo pop de sua época, como, por exemplo, Tina Turner ou Led Zeppelin, com os quais colaborou.

 A boa música certamente lamentará por não poder mais contar com os bons serviços prestados por um exímio baterista e por uma voz excepcional … E, voltando atrás no que dissera sobre ‘ninguém sentir sua falta’, o artista admitiria: Não estou parando porque não me sinto amado, sei que ainda tenho muitos fãs que amam o que eu faço…

                                                                                         … Obrigado”.

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Confira alguns dos melhores momentos da carreira de Phil Collins


1. Com a banda Genesis, cantando Home By The Sea :

2. Tocando bateria:

3. Cantando Can’t Stop Loving You:



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